amanhecer

Esses últimos dias algo tem estado na minha cabeça. Hoje conversei rapidamente com meu marido sobre isso... Resolvi que precisava escrever então. Eu não havia escrito ainda porque mexe com muitos conteúdos profundos meus, mas... escrever é preciso então aí vamos nós.

Há 12 anos atrás, mais ou menos, comecei um tratamento psiquiátrico e psicológico. Terapia e remédio. Eu já falei bastante sobre isso aqui nesse blog, mas luto com a depressão desde muito cedo, acompanhada de pânico e ansiedade em alguns momentos bem ruins. Orei muito sobre isso, trabalhei na terapia e com amigos, conselheiros... Queria a cura, queria ficar bem... Isso depois de descobrir que existia essa possibilidade, durante muito tempo achei que a depressão era eu e eu era ela, mas descobri a tempo que isso é uma mentira deslavada.

A depressão faz você se arrastar pela vida. Você tem medo de viver, medo de lidar com seus sentimentos, medo de não conseguir ser o que queria ser, medo de ser você mesmo, medo de não ser ninguém, medo de morrer ou de viver... Você vai se arrastando... meio que vivendo, meio que sobrevivendo... Existem momentos bons e existem MUITOS momentos horríveis.

Depois que a Petra nasceu eu estava ainda fazendo terapia, com uma terapeuta mandada por Deus, quando ouvi dela as seguintes palavras: Você está fora do diagnóstico! Posso te dizer com muita segurança: você não está deprimida. Pode ficar com raiva, triste, cansada... pode até ficar ansiosa, mas você não se encaixa no diagnóstico de depressão. Parabéns.

Continuava com os remédios, pra garantir, mas ouvir isso foi uma coisa, no mínimo, inusitada! Depois de pedir tanto pra Deus me livrar, seria isso o que eu esperava por tanto tempo? Não... eu custava a crer, também estava muito longe de querer ficar sem meus remédios, me sentia segura tomando os antidepressivos e não ia parar... assim fui seguindo.

Engravidei no final de 2014 e ao final da minha gravidez, que não era ainda pra ser o final, pré-eclâmpsia. Uma semana internada tentando segurar meu bebê e até ouvir a notícia tão difícil de que ele estava entrando em sofrimento e que teríamos que adiantar o parto. Naquele dia eu entrava no meu sétimo mês de gestação.

Esse post não é pra falar sobre essa semana horrível que fiquei internada... Uma semana que achei que ia morrer e ou ia perder meu bebê. Em que tive ataques de pânico e ansiedade... Em que meus músculos se espasmavam, como se eu tivesse com frio, mas era só pânico mesmo. Naquela semana virei um mestre jedi, controlando minha respiração pra não surtar e pra pressão não subir ainda mais. Os médicos e enfermeiros vinham, com a melhor das intenções, colocar sobre meus ombros a frase com o maior peso do mundo: "fique calma se não a sua pressão vai subir ainda mais e vamos ter que fazer esse parto. O seu bebê não está pronto, então fique calma".

Esse post também não é sobre os anjos que Deus colocou no nosso caminho, cuidando de todos os detalhes pra que eu e o Zion, meu bebê saíssemos com vida. Médicos, enfermeiros, amigos, gente de todo tipo que aparecia do nada e nos ajudava. Que foram as mãos de Deus nesse processo, seja fazendo um procedimento médico ou dando um carinho.

Não. Esse post também não é pra eu comentar sobre como é passar um tempinho na UTI, ou um tempasso frequentando a UTI-neo. Sobre a sensação vazia de voltar pra casa sem seu bebê. Ou o sentimento de deixar o bebê com pessoas desconhecidas suas, mas que o conhecem bem melhor que você. Também não é sobre o estresse pós traumático e o medo de tomar banho de porta aberta, porque vai que eu morria no meio do banho, né?

Eu poderia falar sobre o trauma dos meus outros filhos que até hoje ficam meio apreensivos quando digo que vou ao médico, vai que eu passo 10 dias lá de novo, né? Ou também a sensação de impotência e prostração diante de um bebê prematuro vindo pra casa. Eu não sabia se amava ou temia mais... Mas precisava cuidar dele.

Sim Mical.. ok... então sobre o que é esse post afinal?

Esse post é pra dizer que depois de todas essas coisas... Eu estou bem. Melhor do que um dia imaginaria estar. Depois de 12 anos de tratamento, de terapia, de aprender quem eu sou e quem Deus é, e quem eu sou com Ele e pra o mundo. Depois de desistir de pedir a cura, depois de me sentir morta em pé... Sim... depois de tudo... eu estou bem.

Eu tive que entrar em uma dieta bem balanceada depois do parto por conta da pressão e de algumas coisas que eu não podia comer por causa do Zion. Também tive que começar a fazer exercícios físicos. Essas mudanças foram essenciais pra minha melhoria.

Estou a alguns meses sem remédio, apenas tomando minhas vitaminas e fazendo exercícios físicos (mais sobre isso depois). Minha dieta deu uma escorregada depois das festas de final de ano, mas não voltei a estaca zero. Nem aguento! Depois dos 30 o metabolismo muda muito, né?

Esse post é comemorativo. É um marco na minha vida. Mesmo depois de ter ouvido que estava bem, clinicamente, eu não acreditava. Até falei em voz alta isso algumas vezes, mas tinha a garantia do remédio, então... tava tudo bem! Agora... ficar sem remédio... ah isso nunca passou pela minha cabeça.

Quero deixar claro aqui que tenho dias ruins. Ainda tenho que lidar com a ansiedade, tenho que lidar com a falta de sono, já que o Zion não dorme a noite toda. Houve vezes que pensei que estava deprimida, mas na verdade estava MUITO cansada. Ter 3 filhos pequenos é muito trabalho, muito mais do que eu acho que consigo. Graças a Deus pela minha mãe, que me ajuda muito. Eu sempre tenho que responder essa pergunta na minha cabeça ainda: Será que tô ficando deprimida? Nesses últimos tempos a resposta tem sido não.

Confesso que estava com medo de escrever, de falar, de aceitar essa novidade... Estou aprendendo a ser eu saudável e estou aprendendo a ter que lidar com todas as minhas limitações e qualidades, sem colocar a culpa na doença. Não é fácil! A primeira coisa que meu cérebro me diz é que pode ser a depressão, aí eu tenho que me lembrar e me convencer que eu estou bem. 

Uma vez meu médico me disse que a depressão é como uma pessoa com asma. Ele trata a doença e passa anos sem crises, um dia... ele pode ter uma crise... pode ser uma crise forte ou uma crise fraca. Eu tinha medo de admitir que estou bem porque... vai que eu tenho uma crise?! Mas não quero viver na sombra de um futuro possível. Quero viver o momento presente. E nesse momento presente estou livre! Livre de um peso, livre de um diagnóstico, livre! E essa liberdade traz consigo a responsabilidade de lidar com o meu eu. Tenho que encarar a realidade de ser eu mesma todos os dias e decidir estar em paz com isso. O sentimento de inadequação quer pular na frente muitas vezes, e eu tenho que pular com as verdades que tenho aprendido e me lembrar... não sou perfeita, mas sou quem e o que sou.

Agradeço a Deus que me guia nesse caminho que é a vida. Às vezes em montanhas, às vezes em vales. Às vezes um céu azul, às vezes escuridão total... Mas sempre, sempre, sempre ao meu lado. Deus nunca me abandonou, nem me descartou... Coloca pessoas, coisas, músicas, situações... e eu consigo ver que não estou só... Nem sempre foi assim. Muitas vezes me senti totalmente abandonada, isolada, inadequada.... Algumas vezes pedi pra morrer... Mas hoje, hoje eu escolhi viver aprendendo sobre Ele e sobre mim.

Agradeço ao meu marido, que foi quem primeiro me incentivou a buscar ajuda e tratamento. Também foi o Laurence quem, pra mim, mostrou mais a Deus, a Jesus. Com suas imperfeições e convicções, me ensinou muito sobre graça e amor. Te amo!

E ainda agradeço minha família estendida! Minha mãe e meu pai, meus irmãos. Minhas tias e primas... Gente... obrigada por TODO o apoio!

Agradeço aos meus médicos, terapeutas, amigos e pastores... Não quero dizer nomes pra não esquecer ninguém .

hahahahha... me sinto ganhando um prêmio... um óscar... hahahahahaha

Queria fazer essa "festa" fazendo um marco, um altar... agradecendo... Porque, mesmo se eu tiver uma crise amanhã, hoje eu sou uma outra pessoa, vivendo um novo momento... E é necessário comemorar as vitórias!


E eis que nasce uma pequena princesinha!

Na segunda-feira 17 de junho, nasceu Petra Karini Silva Martins. Uma linda princesinha.
O parto, outra cesariana. Minha médica disse que era melhor e eu acabei aceitando, não sei se por ansiedade ou por um pouco de medo, depois do meu primeiro parto traumatizante... Eu não discuti nem lutei pelo parto normal, como queria... Pensei: "Ela sabe da minha preferência e ela é uma médica que dá prioridade ao parto normal, se tá dizendo pra fazer uma cesárea, deve ter suas razões... Então... fui na dela". Pode ser uma atitude meio covarde, meio sei lá... mas não tive coragem de fazer diferente na hora.

A experiência do parto em si, foi BEEEEEM diferente do primeiro. Dessa vez não ficamos nas mãos do SUS. Sei que tem muitas maternidades boas e tudo, mas da primeira vez, fui pra uma muito boa e foi que o que foi. Então dessa vez fizemos tudo particular, eu não tenho plano de saúde. Separamos uma grana e escolhemos bem. Minha médica me passou muita segurança e o Larry pôde estar comigo no parto. Eu não tive pânico, nem fui ofendida. Na hora que a Petra nasceu, o pediatra a colocou do meu ladinho pra eu ficar com ela um pouquinho e foi tudo como eu queria. Ufa!

Depois fomos pra um apartamento, não uma enfermaria com 20 mulheres, acompanhantes, bebês e enfermeiras... Foi MUITO mais tranquilo!

Então... se eu posso dar uma sugestão pras mulherada tudo... Prepare-se, escolha bem um médico de sua confiança e faça o possível pra estar o mais confortável possível pra que possa aproveitar o momento único do nascimento do seu filho. Lógico que, se não for possível, tente fazer do complicado... mais simples, menos ruim... Passei por duas experiências totalmente antagônicas e posso dizer que:
1. Apesar de todo o desconforto, ofensas e confusão do hospital público, eu tentei o tempo todo focar no meu filho, lembrando que aquele momento era mais dele do que meu. Abstraí, sabe?
2. Fazer desse jeitinho, com segurança, tranquilidade e tal... é beeeeeeem melhor.
3. O Kairos saiu do hospital público, vacinado, documentado e todo testado, pronto pra não ficar saindo de casa depois.
4. O hospital particular não tem esses serviços de utilidade pública, depois tive que ir no ambulatório do hospital onde tive o Kairos pra fazer o teste da orelhinha e o do pezinho. Tive que leva-la ao postinho pra vacinar.

Em todo lugar temos coisas boas e coisas ruins... precisamos tirar o melhor de tudo o que nos é apresentado pela vida, né?

mamãe e pequena

Sou a princesa da minha casa, Petra Karini

pensando na nova rotina

Tô na reta final da gravidez, 38 semanas, going on 39. Milhares e milhares de coisas passam pela minha cabeça desde o começo da gestação, mas confesso que as coisas se intensificam a medida que chega perto a hora de parir.

Sempre achei que eu era mais avoada e liberal do que, hoje sei, que realmente sou. A maternidade me revelou que sou uma control freak de primeira. Engraçado porque meu irmão mais velho sempre foi cheio de rotinas e rituais pro dia dele fluir, mas eu era mais tranquila, depois fui vendo que não... Eu gosto de saber o que vem depois, como vai ser, o que esperar, quem vai, que horas começa, que horas termina... hehehe. Uma control freak das boas mesmo. Me lembro quando me deparei com essa realidade, falei pra minha cunhada mais velha, e disse: "Cara, nunca pensei que eu fosse tão controladora!", ela rindo disse pra mim: "Tá brincando? Tu és muito controladora! hahaha"... Não, eu não fiquei com raiva dela, aquela conversa me fez pensar e admitir meu crime... É verdade!

Já falei aqui no blog um pouco sobre o tipo de mãe que sou e como mudanças na rotina da casa me deixam meio perturbada! Adooooooroooo o livro da Tracy Hogg, foi de GRANDE ajuda pra mim. Mas logo no começo, quando o Kairos era pequenininho, eu pirava se atrasava um minutinho da rotina dele, depois fui me acostumando com a vida de bebê e de mãe e que a vida às vezes adia, às vezes atrasa e às vezes cancela mesmo.

Lendo sobre o dia a dia de mãe e como a rotina faz bem pra criança, diminui a ansiedade, ajuda-os a dormir bem e tal... Decidi que esse tipo de vida poderia se encaixar com o nosso, e coube como uma luva, né? Nem sempre é fácil manter a rotina fluindo, nem sempre foi fácil... Tem os fatores externos, que não dependem de você, e os internos, tipo doença do bebê e tal...

Então... diante de todas essas declarações de uma pessoa como eu... Você deve imaginar como eu tô pensando no fato de que chegará uma linda bebezinha que vai mexer com a rotina da casa toda. Tirar o Kairos da segurança do dia dele... Mexer com o meu dia e noite, com a minha rotina também...

Esse post não vem trazer nenhuma solução... Só mesmo uma conversa sobre isso... Sei que, com o tempo, cada coisa se ajusta e a gente encontra um novo ritmo, com a bebê, com o Kairos, comigo e meu marido... enfim... a família nova. Transformação, mutação, adaptação... passaremos todos, já estamos passando, eu acredito, e chegaremos em uma nova forma de "familiar" juntos.

Alguém tem uma experiência pra contar sobre essas grandes mudanças na família?


fotos da barriga

Eu estava em dúvidas se ia fazer fotos da barriga dessa vez, mas acabamos fazendo e nos divertimos muito. Essas são umas das minhas preferidas!
























Sou super a favor de registrar a barriga e se divertir com ela!


Dormindo na casa dos parentes

Quando eu era  criança dormia muito na casa dos amigos e parentes. Adorava festa de pijama na casa dazamigas. Era uma festança só. Mas sempre tinha aquela amiga que os pais não deixavam.

Hoje, eu deixo o Kairos dormir na casa dos avós e dos tios de vez em quando. Acho legal porque ele tem essa independência, vai na boa, sem chorar, dá tchau... E dá uma chance pros parentes terem uma ligação mais forte com ele também. Fora que dá um descanso pra fulltime mãe aqui.

Lógico que tenho que lidar com comentários, tipo minha avó, que de vez em quando solta um assim: Nunca deixei meus filhos dormirem na casa dos outros. Dava conta dos 5 sozinha mesmo. Hehehehe A gente dá uma respirada e vai indo, né?

Algumas regrinhas que eu coloquei pra coisa não sair de ordem: Ele nunca dorme fora duas vezes na semana, no outro dia tem que tá em casa pra almoçar. Eu adoro regrinhas... heheheh... elas me ajudam a manter as coisas no lugar, então obedecendo a essas, a gente vai levando num ritmo saudável.

Queria saber das mamães que lêem aqui... vcs deixam os filhos dormirem na casa de alguém de vez em quando? Tem regrinhas? O que vocês acham disso?

Beijos e boa semana pra todos.